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» » » Tribuna: Eleitores preferem candidatos “forasteiros”

Em sua edição desta quarta-feira, 08, o jornal Tribuna do Norte aponta que a maioria dos votos válidos em Apucarana e Arapongas para deputados estaduais e federais foi dada para candidatos de fora. Dos mais de 244,8 mil votos nos dois municípios para os cargos, 56,8% foram dados para políticos de outras cidades. O resultado foi localmente favorável apenas na votação para deputado estadual em Apucarana. A maior '‘lavada’' foi para deputado federal em Arapongas onde, de cada cinco votos, apenas um foi para alguém da cidade.

Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e só levam em consideração os votos válidos, excluindo os brancos e nulos. Os candidatos de fora representaram, na eleição para deputado estadual, 40,3% dos votos de Apucarana. Já para deputado federal, a situação se inverteu: a maioria, ou 60,9%, votou em pessoas de outras cidades. Na soma dos dois cargos, o saldo ficou favorável aos '‘forasteiros’', que representaram 66,7 mil (50,4%) em Apucarana.

Em Arapongas, a tendência ficou ainda mais evidente. Candidatos locais foram alvo de apenas 35,5% das votações para deputado. A situação na eleição para deputado estadual foi parelha, com pequena vantagem para os '‘forasteiros’': 51,3% contra 48,7% dos votos para candidatos locais. Já na disputa para a Câmara Federal dos Deputados, ampla vitória dos candidatos de fora, que ficaram com 78,3% da votação no município.

Na soma geral dos votos para deputado estadual e federal nas duas cidades, os candidatos de fora receberam quase 35 mil votos a mais do que os candidatos locais. Foram 139,2 mil (56,8%) votos para candidatos de outras cidades contra 105,5 mil (43,2%) para '‘locais’'.

O sociólogo Antônio Marcos Dorigão afirma que, na atual conjuntura política, os municípios deixam de ter certas vantagens sem representantes locais na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa. “Ter representantes nessas esferas, na atual estruturação política do Brasil, faz com que o município tenha visibilidade e consiga ganhos políticos, com a inclusão do município em certas leis, e até financeiros, com emendas no orçamento”.

Ele defende que outros modelos políticos seriam mais efetivos para uma maior representatividade política. "O voto distrital, que tem sido bastante debatido nos últimos tempos, poderia levar a essa representatividade. No entanto, eu particularmente não acredito que os deputados trabalharão para levar benefícios especificamente a seus municípios ' de '‘origem. Os deputados tratam de questões a nível federal e estadual e, em primeiro plano, defendem os seus partidos".

Dorigão ressalta ainda que o fato dos municípios da região não terem eleito ninguém não significa que o cidadão perde representatividade. "O eleitor precisa ter em mente que o voto para deputado não foi apenas para o candidato, mas para a coligação em que ele se encontra. O seu candidato pode não ter sido eleito, mas efetivamente o voto ajudou a eleger outros políticos. Sendo assim, é preciso cobrar desses políticos eleitos o trabalho que se espera". 

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