Mundial de 2022
OPERÁRIOS
ENVOLVIDOS EM OBRAS PARA O MUNDIAL DE 2022 ESTARIAM TRABALHANDO EM
CONDIÇÕES PRECÁRIAS.
Blog, 06 de abril de 2014.
SÃO
PAULO - O jornal britânico Daily
Record realizou,
na edição desse domingo, mais uma denúncia referente às condições
dos operários que trabalham nas obras dos estádios, hotéis e
rodovias visando à preparação do país Copa do Mundo do Catar de
2022.
Segundo
a reportagem, há casos de morte por ataque cardíaco e imigrantes
trabalhando até a exaustão sob temperaturas que ultrapassam os 40
ºC. Seus passaportes também teriam sido confiscados pelas
construtoras, o que os impede de retornar aos seus países de origem.
Além disso, alguns também reclamam que não vem recebendo salários.
A publicação afirma que até um milhão de trabalhadores vindos de
locais como Sri Lanka, Nepal e Bangladesh estão submetidos a
condições análogas à escravidão.
O Daily
Record visitou
os alojamentos onde vivem os trabalhadores e denunciou que os
banheiros estão em péssimas condições, o cheiro de esgoto é
constante e que muitos utilizam água salgada para beber, tomar banho
e lavar roupas. De acordo com a publicação, os trabalhadores não
teriam acesso ao rádio, TV e internet e também não haveria um
local adequado para o armazenamento de alimentos.
Na
última quarta-feira, o governo do Catar se pronunciou e insistiu que
os trabalhadores vem sendo tratados "muito bem" e que houve
uma "grande melhora" nas condições de trabalho nos
últimos meses. A Fifa não se pronunciou sobre o assunto, mas vem
sendo pressionada a tomar providências. No último dia 18 de março,
o membro do Comitê Executivo da Fifa, Theo Zwanziger se reuniu com
representantes da Federação Internacional de Trabalhadores da
Construção Civil para debater o assunto e realizar mudanças. A
entidade já descartou a hipótese de que a Copa não seja realizada
no país.
HISTÓRICO
Essa
não é a primeira denúncia referente às más condições de
trabalho no país asiático. A primeira delas foi feita ao jornal
grego Avgi em
fevereiro do ano passado, em entrevista da secretária-geral da
Confederação Sindical Internacional Sharan Burrow. Ela afirmou que
"a maneira como o Catar encara a situação dos trabalhadores
imigrantes é uma vergonha para o futebol".
No
dia 18 de fevereiro deste ano, o jornal inglês The
Guardian confirmou,
por meio da embaixada da Índia no país, que 502 indianos já
morreram no país nos últimos dois anos. Além disso, outros 382
nepaleses vieram a óbito no mesmo período, sendo que dois terços
das mortes teriam acontecido por acidentes de trabalho ou parada
cardíaca. Os números teriam crescido devido ao aumento no número
de obras de infraestrutura realizadas no país. Em denúncia
anterior, de setembro do ano passado, a mesma publicação afirmou
que 30 nepaleses teriam procurado a embaixada do país em Doha,
capital do Catar, para escapar das más condições de trabalho.
Já
no último dia 31 de março o jornal inglês Mirror denunciou
que 1200 operários da Copa de 2022 já morreram no Catar devido a
condições desumanas de trabalho. Eles seriam mantidos em regime de
escravidão, com direito a agressões. A estimativa da Secretaria
Internacional do Trabalho é de que até o início da competição
até 4 mil operários poderão morrer por conta das más condições
de trabalho.
Renan Araújo -O Estado de S. Paulo