Belo Horizonte
Especialistas
do setor previdenciário e centenas de pessoas com deficiência
discutiram a necessidade e urgência da aplicação da aposentadoria por
tempo de serviço em caráter especial para o segmento.
O debate foi
realizado em seminário na quinta-feira (29/8), na Câmara Municipal de
Belo Horizonte.
O encontro buscou esclarecer dúvidas a respeito da nova
legislação federal que prevê a aposentadoria especial e deve ser
regulamentada até novembro deste ano.
Também foi aberto o debate sobre a
situação atual das pessoas com deficiência, que sofrem com a falta de
oportunidade de trabalho, acessibilidade, tradutores, espaços e escolas
adaptadas às necessidades específicas.
Termos e critérios
Conforme
o texto publicado, fica garantida a concessão de aposentadoria pelo
INSS às pessoas com deficiência nas seguintes condições: aos 25 anos de
contribuição, se homem, e 20 anos, se mulher, no caso de deficiência
grave; aos 29 anos de contribuição, se homem, e 24 anos, se mulher, no
caso de deficiência moderada; aos 33 anos de contribuição, se homem, e
28 anos, se mulher, no caso de deficiência leve; ou aos 60 anos de
idade, se homem, e 55 anos de idade, se mulher, independentemente do
grau de deficiência, desde que cumprido tempo mínimo de contribuição de
15 anos e comprovada a existência de deficiência durante igual período.
Para apuração do grau de “impedimento” da pessoa, o INSS avalia
aspectos sociais e físicos divididos em três áreas: “fatores
ambientais”, como a qualidade do espaço onde vive, acessibilidade,
esforço e relações estabelecidas com as pessoas e familiares;
“atividades e participação”, considerando a capacidade da pessoa (o que
consegue fazer em ambiente neutro) e seu desempenho real (o que consegue
fazer no ambiente habitual, com todos os fatores presentes), tanto em
caráter individual, quanto social; e “funções do corpo”, identificadas
pela perícia médica entre os diversos tipos de deficiência como física,
auditiva, visual, mental ou mesmo múltipla.
Dúvidas e reivindicações
As pessoas exigiram, ainda, políticas públicas para o segmento que
garantam a qualidade de vida e a possibilidade de acesso à aposentadoria
como mais oportunidades de trabalho para os cidadãos com deficiência,
espaços institucionais adaptados, concursos públicos para tradutores de
LIBRA que garantam a acessibilidade, transporte público acessível e,
principalmente, escolas e educadores capacitados ao atendimento e
formação desse público. Foi elaborada uma carta conjunta reunindo
questionamentos e sugestões a ser enviada ao governo federal como forma
de participação popular na regulamentação da nova lei.
Fonte: CMBH/Leonardo Mattos